segunda-feira, 11 de maio de 2009

Como o Sri Lanka não mete judeus ao barulho


Pelo menos 6.500 vítimas civis desde o início do ano. Mais de 300 mortos durante o fim-de-semana, incluindo cem crianças. Desproporção total entre o poder do exército cingalês e os rebeldes tamil, confinados a menos de 5 quilómetros quadrados. Desprezo total do governo aos apelos internacionais para um cessar-fogo. Expulsão de jornalistas e diplomatas.

Número de posts inflamados na blogosfera nacional sobre o assunto? Comparações com o Holocausto? Apelos a boicotes diplomáticos? Sugestões de 'conspiração budista internacional'?

Zero, ou quase zero. Há causas mais nobres que outras, há vítimas mais vítimas que outras.

sábado, 4 de abril de 2009

Outro artigo incómodo, Eduarda?

Não acrediiiiiiiiiiiiiiiito!

PS: O autor foi processado por José Sócrates. Não é piada.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

O crime faz hoje dez anos

24 de Março de 1999. Á revelia da ONU, a NATO inicia o bombardeamento da República Federal da Jugoslávia para travar a resposta ao UÇK. São 78 dias de ataques à estrutura civil e militar do país que resultam em cerca de 2.500 mortos. 89 vítimas eram crianças, segundo a Human Rights Watch e a UNICEF. Há pelo menos onze jornalistas ou profissionais media mortos pelas bombas da Aliança: cerca de dez na destruição de uma redacção da televisão sérvia e um no bombardeamento da embaixada chinesa. Doze ataques de grande envergadura durante o dia matam dezenas de civis cada, no bombardeamento de pontes, estradas e fábricas.(cont. abaixo)

Dez anos depois, a Jugoslávia foi dissolvida, o Kosovo é o país europeu mais parecido com um narco-estado, e a limpeza étnica do território concretizou-se com a fuga de 200 mil sérvios. O uso de armas radioactivas continua hoje a adoecer e a matar sérvios, montenegrinos e kosovares de todas as etnias, tal como dezenas de soldados portugueses, italianos, belgas, espanhóis e holandes. O UÇK, grupo criminoso convenientemente transformado em exército de libertação, pariu o Estado kosovar. Apenas alguns dirigentes sérvios foram levados a julgamento. Do lado aliado, nem um único responsável da NATO respondeu pelos crimes de guerra cometidos por controlo remoto. A imprensa e a blogosfera, de Esquerda e de Direita, entretidas com as 'causas' de estimação, fazem o favor de passar ao lado da efeméride. Para Bill Clinton e Tony Blair, o crime compensa.

terça-feira, 17 de março de 2009

Jon Stewart entrevista Jim Cramer

Isto é um documento histórico e uma lição de jornalismo. Jon Stewart, que no BI é só um comediante, encosta à parede Jim Cramer, o jornalista/comentador/ex-gestor de hedge funds, e denuncia a demissão do jornalismo financeiro norte-americano em noticiar as loucuras que levaram ao colapso de Wall Street. Sem paninhos quentes, Stewart pergunta, insiste, recorre a excertos de vídeo que desmentem e desmontam na hora os argumentos do entrevistado. Tudo o que Jim Cramer e a CNBC não quiseram fazer em 2007 e em 2008, sacrificando a informação em nome do entertenimento e do cheerleading, a verdade em nome das amizades e do dinheiro. Isto tudo vem no seguimento de uma semana de pingue-pongue entre Stewart e a CNBC. Seguem-se duas de três partes da entrevista (a primeira era meramente introdutória):




sexta-feira, 13 de março de 2009

Messer Chups em Portugal



27 Março no Porto, 28 em Lisboa, 30 em Bragança.

Messer Chups is an experimental band from St.Petersburg, Russia. Messer Chups' music often features a fundament of surf drums on which they build collages of samples from odd sources, like circus music, jazz, east European animation soundtracks, and American B-pictures. On top of that they lay solos from guitar and theremin. The overall effect is one of loving parody and good fun.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Jon Stewart vs CNBC

Quais Alegres, quais Vitais, quais Pachecos. Isto sim é a minha polémica favorita do momento:

1 - Jon Stewart arrasa a CNBC por defender que os pais de família que não conseguem pagar as prestações da casa não têm direito a ajuda federal, e por ter falhado redondamente ao não prever a presente catástrofe financeira. Gosto especialmente do «fuck you» final:



2 - Os mete-nojo da CNBC armam-se em Fernanda Zola Câncio defendendo José Dreyfus Sócrates e tomam o Jon por parvo:



3 - Jon Stewart defende-se com a ajuda da Dora Exploradora:


4 - Jim Cramer é o convidado do Daily Show desta quinta-feira. Cá fico à espera do último assalto. Hurray for the pendejos.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Winnie the Pooh soviético, ou o mel a quem o trabalha



Vinni Puh, URSS, 1969, aqui legendado em espanhol. Absolutamente delicioso. Vídeo legendado em inglês e links para outros episódios.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Bom fim-de-semana :)


A 9 months baby play synthesizer. from linyuchen on Vimeo.

Via BoingBoing, pois claro.

Liberdade de expressão e a negação do Holocausto


Fico doente. O João Miranda, no Blasfémias, afirma que o valor dado à liberdade de expressão se mede pelo nível de «tolerância em relação a ideias impopulares». Isto a propósito do caso do bispo Richard Williamson*, que fez o João Miranda espantar-se perante a ausência de protestos pela expulsão do clérigo da Argentina.

Mas de que ideia impopular está Miranda a falar afinal? Da negação do Holocausto. Um dos pilares da retórica neo-nazi. A ideia de que ou não morreu ninguém às mãos da Alemanha Nazi (judeus, polacos, russos, isso nem interessa), ou que morreu pouca gente, ou que até morreram muitos mas que a culpa foi de correr com tesouras na mão.

Só que isto não pode ser um debate filosófico. Porque é óbvio que a liberdade de expressão nunca será um valor absoluto. Eu não posso assediar verbalmente uma colega. Eu não posso ameaçar de morte o meu vizinho. Eu não posso andar a dizer que a mãe do João Miranda andou a fazer isto e aquilo. Ou arrisco-me a ser despedido, processado e agredido (e é bem feito).

Ora, não será muito mais grave dizer que a dor de milhões de famílias é um teatrinho? Que a ideia de eliminar fisicamente um grupo populacional é uma boa solução para os problemas de um país? É que não é só uma questão de ferir sentimentos. Isto abre terreno para acções muito reais, muito perigosas. Não é uma questão de honra, é uma questão de vida ou de morte.

Posto isto, que os historiadores prossigam o seu trabalho. Que se investigue, pois, os crimes dos outros regimes, porque o reconhecimento dos crimes nazis não tem que pressupor a negação das atrocidades estalinistas (um dos argumentos idiotas a que mais se recorre). Mas que não se brinque com coisas sérias. Não há tolerância possível perante o totalitarismo. Só pode haver intolerância. Que se lixem os pseudo-libertarismos.

*PS: Entretanto, o Vaticano rejeitou as desculpas frouxas de Williamson. Se ainda assim continuam a achar que só lixaram o coitadinho por este defender uma "ideia impopular", façam o favor de googlar uns artigos do Guardian, do Times, do Haaretz ou do Clarín para conhecerem melhor a besta.